Um grupo de pessoas naufraga em uma ilha deserta. Ali nasce uma criança. À medida que a criança cresce, um dos adultos começa a ensinar-lhe o alfabeto, rabiscando, sobre a areia, a forma das letras. O adulto diz à criança: “Isto pode parecer desnecessário e inútil, você não teria necessidade destas letras aqui neste lugar. Porém, quando formos resgatados, quando retornarmos à nossa terra, você terá contato com os livros que é onde está contida toda a sabedoria do mundo... Então, você será capaz de ler aqueles livros porque aprendeu aqui”. Naquela ilha deserta, a criança pôde aprender aquelas letras somente pela fé. Ela confia, ela tem fé que aquelas letras, algum dia, serão um veículo de luz. Nós também não exigimos revelações ou soluções instantâneas às nossas dúvidas. Nós cultivamos as sementes submersas de nossas vidas sabendo que elas romperão a superfície, vão brotar e florescer, porém, não agora, somente quando formos resgatados.
A pessoa que tem fé é uma felizarda. Quem não tem fé sente que falta algo no fundo de sua existência. Fé é esperança e quem abandona esta esperança é um desesperado, não conhece o fascínio de nossa existência que reside na simbiose entre o imanente e o transcendente. Na esfera do imanente, a ciência é a atividade mais rigorosa, pois é apoiada em profundas bases da verdade objetiva. As conquistas do pensamento científico, desde Galileu até hoje, são descobertas que submeteram a natureza e suas estruturas ao crivo do intelecto humano.
Quando observamos os fenômenos que se produzem na natureza, constatamos certas regularidades, certas constâncias que são expressas por relações apresentadas como leis. Temos a impressão que essas constâncias resultam de uma decisão específica de um Criador, à maneira como as leis de uma sociedade são decididas por um legislador. Desta análise, conclui-se, então, primeiro: o mundo que nos circunda e de que somos parte, é regido por leis universais; em segundo: ninguém consegue modificar estas leis, ainda que numa mínima parte. Estas leis, rigorosas e imutáveis, representam a lógica da natureza e nenhum cientista sabe dizer por que, entre todas as lógicas possíveis, foi escolhida aquela que culminou com a existência do único ser privilegiado que, dia após dia, procura desvendar, decifrar e entender esta mesma lógica.
Estas leis fundamentais não foram inventadas, foram e são descobertas quando os cientistas interrogaram a natureza. E quando a Ciência olha para a natureza, vê uma construção maravilhosa, seguindo um desenho preciso. Descobrir uma lei fundamental da natureza significa decifrar uma frase escrita pelo Criador do mundo, no livro que está diante dos olhos de todos nós: a criação. A evolução cultural acompanhou nossa evolução biológica, enquanto esta aconteceu lentamente, a outra eclodiu nos últimos 400 anos. E onde a evolução cultural tem suas mais formidáveis raízes? Na ciência. E como nasce a ciência? De um ato de fé.
Uma águia e um gatinho são como nós, constituídos de átomos e moléculas, mas quantos milhões de anos devemos esperar para que a evolução cultural leve uma águia a voar à velocidade supersônica? Ou será que o gatinho, algum dia, verá a face oculta da lua? Como é maravilhoso o Universo que conseguiu produzir o homem!
Graças à física, no imanente é possível entender, em termos rigorosos, o que significa existir. No transcendente, o que significará existir? Decerto nem no espaço, nem no tempo ou na massa e nem no rigor lógico da matemática. Seria como querer colocar em um único vaso todas as rosas produzidas em Holambra ou em um único copo todo vinho produzido na França. Submeter o transcendente ao controle das leis descobertas pelo homem, no estudo do imanente, seria um absurdo. A existência do transcendente é um ato de fé.
Poderíamos perder o dom da fé usando a ciência? Não, não existe nenhuma descoberta científica que possa ser usada para questionar ou negar a existência do Criador e se a ciência estivesse em antítese com a fé, não deveria existir um único cientista crente. A ciência necessita de valores e a maior e mais genuína fonte de valores é a fé. A fé é necessária para que a ciência não mais atue contra o homem e contra a vida e sim para o bem-estar, para a prosperidade, a justiça e o respeito à dignidade humana.
O autor, Paulo César Razuk, é professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Quando deixamos de ser crianças?
Saindo do meu foco, mais uma vez, é com muita honra que indico a Opinião a seguir:
"Um sonho começa quando percebemos que ser criança é algo muito especial! Por mais que passe o tempo, por mais que os anos nos transformem em adultos responsáveis e maduros, seremos sempre crianças que buscam momentos de felicidade, prazer e diversão.
Não há adultos que não reconheçam a essência de um olhar infantil ou a pureza que nos toca ao vermos um sorriso inocente de uma criança. Porém o rumo dessa inocência vem sendo mudada por atitudes inescrupulosas de pessoas amarguradas e entristecidas que se esqueceram que um dia foram crianças felizes.
Aceitam tão somente a pressão de uma vida que escraviza, culpa e deturpa a forma correta em se viver! De nada adianta fechar nossos olhos para a fantástica maneira em sermos ainda crianças mesmo que crescidos. Enquanto olharmos o nosso todo com a responsabilidade de encontrar defeitos, mentiras e falsos momentos de satisfação, nossa realidade não será exposta na continuidade do nosso existir. O mundo não deve ser visto como algo que nos pune, mas sim como algo que nos dá direito de ser o que quisermos. Quando criamos em nós apatias, pesadelos e intolerâncias para com o todo que nos cerca, nos tornamos vazios, injustos e distantes da origem que nos faz humanos.
A criança existente dentro de cada um de nós não deve morrer só porque achamos que nosso tempo passou e que a idade nos faz distantes em demasia desse fluxo. Em que momento deixamos de ser criança? Quando deixamos de sonhar, cantar, desejar e amar, pois uma criança representa a realidade de todos nós que acreditamos na verdade, na justiça e em tudo que nos traga uma relação sadia entre a vida representada em um cotidiano que não seqüestre de nós a criança de nossas irresponsabilidades sem pecados.
Somos seres humanos e nos preocupamos com as contas financeiras que chegam todos os meses naqueles mesmos dias. Estamos preocupados em como manteremos nossos empregos, em como caminha a humanidade e esquecemos de ser crianças! Estamos tão robotizados que as estruturas de nossas crianças vêem sendo desrespeitadas: queremos dar a elas a responsabilidade de serem adultas antes do tempo e, por sua vez, frustrando antecipadamente o direito ao qual um dia tivemos.
De nada adiantará termos todo o dinheiro do mundo ou darmos a elas todos os brinquedos mais modernos, pois em que tempo em suas vidas elas se sentirão realmente crianças? Estamos vivendo uma demagogia inescrupulosa e irracional! Estamos chocados com a falta de cultura entre os jovens, estamos afastando nossos filhos de uma relação mais aproximada, de uma fé que priorize o comportamento junto a Deus e, por fim, deixamos de brincar, participar e de estar junto a elas.
Dia 12 de outubro é o Dia da Criança! Mas de uma criança integrada ao sonho, fantasia, criação e desejos de felicidade, onde a igualdade não é uma irrealidade que habita o mundo dos homens pensadores e conhecedores da ciência e da fronteira entre o sucesso e os pesadelos.
Devemos nos permitir mais, devemos enriquecer as lembranças boas que farão parte de nossos filhos no amanhã para que se tornem homens muito mais felizes do que nós. Ainda somos uma geração nascida de um desejo de liberdade social e igualdade de condições. Mas elas serão a continuidade de todos nós e, para que isso aconteça, devemos nos presentear no dia 12 de outubro com o direito de estarmos novamente crianças.
Sendo crianças inocentes que se desprendem das responsabilidades e se aproximam do mundo existente dentro de cada um que habita o mundo infantil! Ao invés de gritarmos palavrões em meio a um engarrafamento, ao invés de discutirmos com nosso gerente em um banco qualquer ou nos precipitarmos a qualquer tipo de sofrimento, busquemos nos apoiar na criança existente em nós e em tudo que faça bem a seu filho que lhe verá e viverá para sempre no mundo infantil!
A morte só acontece quando não criamos elos com aqueles que amamos. Assim também é a criança que nos acompanha nessa relação com a vida e participa de tudo que nos acontece. Uma criança feliz será um homem feliz! Por isso, apodere-se desse direito! Feliz Dia das Crianças!"
O autor, Eder Roberto Dias, escreveu o livro “O Amor Sempre Vence...”, publicado pela Editora Gente
"Um sonho começa quando percebemos que ser criança é algo muito especial! Por mais que passe o tempo, por mais que os anos nos transformem em adultos responsáveis e maduros, seremos sempre crianças que buscam momentos de felicidade, prazer e diversão.
Não há adultos que não reconheçam a essência de um olhar infantil ou a pureza que nos toca ao vermos um sorriso inocente de uma criança. Porém o rumo dessa inocência vem sendo mudada por atitudes inescrupulosas de pessoas amarguradas e entristecidas que se esqueceram que um dia foram crianças felizes.
Aceitam tão somente a pressão de uma vida que escraviza, culpa e deturpa a forma correta em se viver! De nada adianta fechar nossos olhos para a fantástica maneira em sermos ainda crianças mesmo que crescidos. Enquanto olharmos o nosso todo com a responsabilidade de encontrar defeitos, mentiras e falsos momentos de satisfação, nossa realidade não será exposta na continuidade do nosso existir. O mundo não deve ser visto como algo que nos pune, mas sim como algo que nos dá direito de ser o que quisermos. Quando criamos em nós apatias, pesadelos e intolerâncias para com o todo que nos cerca, nos tornamos vazios, injustos e distantes da origem que nos faz humanos.
A criança existente dentro de cada um de nós não deve morrer só porque achamos que nosso tempo passou e que a idade nos faz distantes em demasia desse fluxo. Em que momento deixamos de ser criança? Quando deixamos de sonhar, cantar, desejar e amar, pois uma criança representa a realidade de todos nós que acreditamos na verdade, na justiça e em tudo que nos traga uma relação sadia entre a vida representada em um cotidiano que não seqüestre de nós a criança de nossas irresponsabilidades sem pecados.
Somos seres humanos e nos preocupamos com as contas financeiras que chegam todos os meses naqueles mesmos dias. Estamos preocupados em como manteremos nossos empregos, em como caminha a humanidade e esquecemos de ser crianças! Estamos tão robotizados que as estruturas de nossas crianças vêem sendo desrespeitadas: queremos dar a elas a responsabilidade de serem adultas antes do tempo e, por sua vez, frustrando antecipadamente o direito ao qual um dia tivemos.
De nada adiantará termos todo o dinheiro do mundo ou darmos a elas todos os brinquedos mais modernos, pois em que tempo em suas vidas elas se sentirão realmente crianças? Estamos vivendo uma demagogia inescrupulosa e irracional! Estamos chocados com a falta de cultura entre os jovens, estamos afastando nossos filhos de uma relação mais aproximada, de uma fé que priorize o comportamento junto a Deus e, por fim, deixamos de brincar, participar e de estar junto a elas.
Dia 12 de outubro é o Dia da Criança! Mas de uma criança integrada ao sonho, fantasia, criação e desejos de felicidade, onde a igualdade não é uma irrealidade que habita o mundo dos homens pensadores e conhecedores da ciência e da fronteira entre o sucesso e os pesadelos.
Devemos nos permitir mais, devemos enriquecer as lembranças boas que farão parte de nossos filhos no amanhã para que se tornem homens muito mais felizes do que nós. Ainda somos uma geração nascida de um desejo de liberdade social e igualdade de condições. Mas elas serão a continuidade de todos nós e, para que isso aconteça, devemos nos presentear no dia 12 de outubro com o direito de estarmos novamente crianças.
Sendo crianças inocentes que se desprendem das responsabilidades e se aproximam do mundo existente dentro de cada um que habita o mundo infantil! Ao invés de gritarmos palavrões em meio a um engarrafamento, ao invés de discutirmos com nosso gerente em um banco qualquer ou nos precipitarmos a qualquer tipo de sofrimento, busquemos nos apoiar na criança existente em nós e em tudo que faça bem a seu filho que lhe verá e viverá para sempre no mundo infantil!
A morte só acontece quando não criamos elos com aqueles que amamos. Assim também é a criança que nos acompanha nessa relação com a vida e participa de tudo que nos acontece. Uma criança feliz será um homem feliz! Por isso, apodere-se desse direito! Feliz Dia das Crianças!"
O autor, Eder Roberto Dias, escreveu o livro “O Amor Sempre Vence...”, publicado pela Editora Gente
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
CULTURAS IMPOSSÍVEIS E A ORIGEM DA CRENÇA NA VIDA ETERNA
As habilidades mentais dos humanos e outros animais têm mais semelhanças do que diferenças. Nas últimas décadas aprendemos, por meio de diversos trabalhos científicos, que os outros animais também são capazes de adquirir linguagem própria, produzir música, sentir empatia e passar ensinamentos. Temos então a impressão de que as diferenças culturais entre nossa espécie e as outras seriam apenas uma questão de profundidade.
Essa profundidade sugere que exista um contínuo cultural, envolvendo espécies com habilidades tão refinadas quanto os humanos. Entretanto, não há evidências que suportem essa idéia. Compartilhamos cerca de 99% de nosso DNA com bonobos e chimpanzés e ainda assim somos culturalmente muito mais complexos que nossos ancestrais. Essa quebra na continuidade pressupõe um interessante paradigma cientifico: a possibilidade de culturas impossíveis. Essas culturas não teriam tido sucesso evolutivo por alguma razão (talvez por falta de ambientes ou circunstâncias ideais) ou teriam tido problemas em se sustentar, levando à extinção.
Exemplo dessa falta de contínuo pôde ser observado em “formas” de vida cambriana. Durante o período Cambriano (cerca de 500 milhões de anos atrás), houve uma rápida e imprescindível explosão de novas formas de vida. O fato de tamanha variação ter aparecido num curto período sugere que o genoma tem uma enorme capacidade criativa, adaptando-se rapidamente a diferentes ambientes. Mesmo nessa explosão de formas de vida, não encontramos um contínuo, sugerindo que outras forças impeçam a simples variação do que já existe. Isso pode até ser resultado de um empecilho físico, por exemplo. Voltemos agora à questão do contínuo cultural.
A data aproximada de quando ocorreu a revolução cultural humana não é um consenso entre os pesquisadores. Alguns sugerem que começou cerca de 800 mil anos atrás e teve seu pico cerca de 45 mil anos atrás. Esse período é associado com a geração de símbolos (matemáticos, artísticos e ritualísticos), uso controlado do fogo e ferramentas para usos múltiplos. Tomando-se que esse intervalo de tempo é irrisório numa escala evolucionária, e que essa expressão cultural humana emergiu rapidamente, a comparação com a explosão criativa do Cambriano é impressionante.
Alguma transformação genética deve ter acontecido, equipando os humanos com uma capacidade para gerar novas expressões culturais sem precedentes. Porém, da mesma forma que não se encontra o contínuo nas formas de vida do Cambriano, não encontramos o contínuo em diversas outras culturas. Algo aconteceu, impedindo que culturas hipoteticamente viáveis prosperassem em paralelo aos humanos. Será que o cérebro primata foi limitado de alguma forma a gerar outras formas de consciência?
A possibilidade de outras culturas intriga cientistas e escritores de ficção científica. Em quase todos os casos em que se cogitam situações ou ambientes onde outras culturas pudessem ter existido, assume-se implicitamente que essas teriam sido selecionadas positivamente. Mas isso pode não ser tão simples assim…
Entre as qualidades tipicamente humanas, está a consciência do “eu” e a “teoria da mente”, que permite uma inter-subjetividade ou o entendimento das intenções dos outros. Já descrevi a teoria da mente em maiores detalhes numa coluna anterior (“A teoria da mente e a síndrome de Williams”). Esses atributos podem ter sido selecionados positivamente por causa dos benefícios à comunicação entre os membros da espécie, facilitando a procriação, linguagem e outras atividades críticas aos humanos.
Mas talvez a questão real seja: por que esses atributos somente surgiram em uma espécie, apesar de milhares de outras oportunidades durante a evolução? Ora, o surgimento da consciência humana e da teoria da mente deveria trazer junto à consciência da vida finita, da própria morte. Longe de ser útil, o medo da morte pode ser encarado como um beco-sem-saída evolucionário, pois inibe atividades de risco e as funções cognitivas necessárias para a sobrevivência dos indivíduos da espécie. Ninguém se arrisca se as chances de morrer são grandes.
Apesar de diversas espécies manifestarem indícios de consciência do “eu” (incluindo orangotangos, chimpanzés, golfinhos, orcas, elefantes e talvez alguns pássaros), a transição para um fenótipo tipicamente humano foi bloqueada por milhões de anos de evolução de mamíferos (e talvez aves).
Assim, a única forma de essas propriedades terem sido selecionadas positivamente seria caso emergissem simultaneamente com mecanismos neurais responsáveis pela negação da morte ou crença na vida eterna. A ideia da consciência da própria mortalidade, ou desconfiança da morte, já foi associada a mecanismos de sobrevivência da espécie humana, mas nunca sob a perspectiva da descontinuidade cultural.
Se essa lógica for verdadeira, é correto pensar que outras espécies também tenham atingido um sofisticado grau cognitivo, com uma completa consciência do “eu” e teoria da mente, em algum momento da evolução. Mas acabaram por serem extintas, pois não conseguiram conciliar essa conquista evolucionária com o tremendo impacto negativo das consequências de saber que seriam, de fato, mortais.
Essa nova visão, a meu ver, nunca antes tinha sido proposta e deve revigorar debates sobre as qualidades humanas universais necessárias para explicar a grande descontinuidade cognitiva observada entre nós e outras espécies. Pode também explicar por que humanos acreditam em reencarnação, vida após a morte, rituais de morte, crendices, tendências suicidas e martírio.
Arrisco ir mais longe e dizer que esse momento ímpar da evolução humana foi ainda influenciado pelas interconexões neurais não definidas entre os dois hemisférios, levando a um cérebro semelhante ao sinesteta ou esquizofrênico (principalmente no que se refere a ouvir vozes “do além”). Da combinação desses fatores, ganhou a religião seu adubo mais fresco.
Postado por Alysson Muotri em 28 de setembro de 2009 às 10:57
Essa profundidade sugere que exista um contínuo cultural, envolvendo espécies com habilidades tão refinadas quanto os humanos. Entretanto, não há evidências que suportem essa idéia. Compartilhamos cerca de 99% de nosso DNA com bonobos e chimpanzés e ainda assim somos culturalmente muito mais complexos que nossos ancestrais. Essa quebra na continuidade pressupõe um interessante paradigma cientifico: a possibilidade de culturas impossíveis. Essas culturas não teriam tido sucesso evolutivo por alguma razão (talvez por falta de ambientes ou circunstâncias ideais) ou teriam tido problemas em se sustentar, levando à extinção.
Exemplo dessa falta de contínuo pôde ser observado em “formas” de vida cambriana. Durante o período Cambriano (cerca de 500 milhões de anos atrás), houve uma rápida e imprescindível explosão de novas formas de vida. O fato de tamanha variação ter aparecido num curto período sugere que o genoma tem uma enorme capacidade criativa, adaptando-se rapidamente a diferentes ambientes. Mesmo nessa explosão de formas de vida, não encontramos um contínuo, sugerindo que outras forças impeçam a simples variação do que já existe. Isso pode até ser resultado de um empecilho físico, por exemplo. Voltemos agora à questão do contínuo cultural.
A data aproximada de quando ocorreu a revolução cultural humana não é um consenso entre os pesquisadores. Alguns sugerem que começou cerca de 800 mil anos atrás e teve seu pico cerca de 45 mil anos atrás. Esse período é associado com a geração de símbolos (matemáticos, artísticos e ritualísticos), uso controlado do fogo e ferramentas para usos múltiplos. Tomando-se que esse intervalo de tempo é irrisório numa escala evolucionária, e que essa expressão cultural humana emergiu rapidamente, a comparação com a explosão criativa do Cambriano é impressionante.
Alguma transformação genética deve ter acontecido, equipando os humanos com uma capacidade para gerar novas expressões culturais sem precedentes. Porém, da mesma forma que não se encontra o contínuo nas formas de vida do Cambriano, não encontramos o contínuo em diversas outras culturas. Algo aconteceu, impedindo que culturas hipoteticamente viáveis prosperassem em paralelo aos humanos. Será que o cérebro primata foi limitado de alguma forma a gerar outras formas de consciência?
A possibilidade de outras culturas intriga cientistas e escritores de ficção científica. Em quase todos os casos em que se cogitam situações ou ambientes onde outras culturas pudessem ter existido, assume-se implicitamente que essas teriam sido selecionadas positivamente. Mas isso pode não ser tão simples assim…
Entre as qualidades tipicamente humanas, está a consciência do “eu” e a “teoria da mente”, que permite uma inter-subjetividade ou o entendimento das intenções dos outros. Já descrevi a teoria da mente em maiores detalhes numa coluna anterior (“A teoria da mente e a síndrome de Williams”). Esses atributos podem ter sido selecionados positivamente por causa dos benefícios à comunicação entre os membros da espécie, facilitando a procriação, linguagem e outras atividades críticas aos humanos.
Mas talvez a questão real seja: por que esses atributos somente surgiram em uma espécie, apesar de milhares de outras oportunidades durante a evolução? Ora, o surgimento da consciência humana e da teoria da mente deveria trazer junto à consciência da vida finita, da própria morte. Longe de ser útil, o medo da morte pode ser encarado como um beco-sem-saída evolucionário, pois inibe atividades de risco e as funções cognitivas necessárias para a sobrevivência dos indivíduos da espécie. Ninguém se arrisca se as chances de morrer são grandes.
Apesar de diversas espécies manifestarem indícios de consciência do “eu” (incluindo orangotangos, chimpanzés, golfinhos, orcas, elefantes e talvez alguns pássaros), a transição para um fenótipo tipicamente humano foi bloqueada por milhões de anos de evolução de mamíferos (e talvez aves).
Assim, a única forma de essas propriedades terem sido selecionadas positivamente seria caso emergissem simultaneamente com mecanismos neurais responsáveis pela negação da morte ou crença na vida eterna. A ideia da consciência da própria mortalidade, ou desconfiança da morte, já foi associada a mecanismos de sobrevivência da espécie humana, mas nunca sob a perspectiva da descontinuidade cultural.
Se essa lógica for verdadeira, é correto pensar que outras espécies também tenham atingido um sofisticado grau cognitivo, com uma completa consciência do “eu” e teoria da mente, em algum momento da evolução. Mas acabaram por serem extintas, pois não conseguiram conciliar essa conquista evolucionária com o tremendo impacto negativo das consequências de saber que seriam, de fato, mortais.
Essa nova visão, a meu ver, nunca antes tinha sido proposta e deve revigorar debates sobre as qualidades humanas universais necessárias para explicar a grande descontinuidade cognitiva observada entre nós e outras espécies. Pode também explicar por que humanos acreditam em reencarnação, vida após a morte, rituais de morte, crendices, tendências suicidas e martírio.
Arrisco ir mais longe e dizer que esse momento ímpar da evolução humana foi ainda influenciado pelas interconexões neurais não definidas entre os dois hemisférios, levando a um cérebro semelhante ao sinesteta ou esquizofrênico (principalmente no que se refere a ouvir vozes “do além”). Da combinação desses fatores, ganhou a religião seu adubo mais fresco.
Postado por Alysson Muotri em 28 de setembro de 2009 às 10:57
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
DEUS ESQUECIDO
E Deus ficou profundamente triste...
Conta-se que a filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no “Early Show” quando a apresentadora Jane Clayson lhe perguntou: Como Deus permitira algo tão terrível assim acontecesse no dia 11 de setembro de 2001? E, Anne Graham deu uma resposta profunda e esclarecedora.
Ela disse: “Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos nós temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a Sua bênção e Sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco? À vista dos acontecimentos recentes, ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc.
Eu creio que tudo começou desde que Madalyn Murray O’Hair, uma ateísta, se queixou de que era impróprio fazer orações nas escolas americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós próprios. E nós concordamos.
Logo depois, o dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos corrigir nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua autoestima. E nós dissemos: “um perito nesse assunto deve saber o que está falando”, e concordamos com ele. O filho do dr. Spock depois cometeu suicídio.
Depois alguém disse que os professores e os diretores das escolas não deveriam disciplinar os nossos filhos quando eles se comportassem mal. Os administradores escolares então decidiram que nenhum professor em suas escolas deveria tocar em um aluno quando se comportasse mal, porque não queriam publicidade negativa, e não queriam ser processados (há uma grande diferença entre disciplinar e tocar, corrigir, dar socos, humilhar e chutar, etc.). E nós concordamos com tudo.
De alguns dos nossos políticos mais importantes disseram que não teria importância alguma o que nós fizéssemos em nossa privacidade, desde que estivéssemos cumprindo com os nossos deveres. Concordando com eles, dissemos que para nós não faria qualquer diferença o que uma pessoa fizesse em particular, incluindo o nosso presidente da República, desde que o nosso emprego fosse mantido e a nossa economia ficasse equilibrada.
Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia, e uma apreciação natural da beleza do corpo feminino. E nós também concordamos. Depois uma outra pessoa levou isto a um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição na Internet. E nós dissemos, “está bem, isto é democracia, e eles têm direito de ter a liberdade de se expressar e fazer isso”.
Vamos fazer filmes que promovam profanação, violência e sexo ilícito. Vamos gravar música que estimule o estupro, drogas, assassínio, suicídio e temas satânicos”. E nós dissemos: “Isto é apenas diversão, e não produz qualquer efeito prejudicial. Ninguém leva isso a sério mesmo, então que façam isso!”.
Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência, e por que não sabem distinguir entre o bem e o mal, o certo e o errado, por que não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios...
Provavelmente, se nós analisarmos tudo isto seriamente, iremos facilmente compreender que nós estamos colhendo exatamente aquilo que temos semeado!”
Esta é a visão sobre Deus de Elias Brandão - bacharel em direito e teologia
Conta-se que a filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no “Early Show” quando a apresentadora Jane Clayson lhe perguntou: Como Deus permitira algo tão terrível assim acontecesse no dia 11 de setembro de 2001? E, Anne Graham deu uma resposta profunda e esclarecedora.
Ela disse: “Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos nós temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a Sua bênção e Sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco? À vista dos acontecimentos recentes, ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc.
Eu creio que tudo começou desde que Madalyn Murray O’Hair, uma ateísta, se queixou de que era impróprio fazer orações nas escolas americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós próprios. E nós concordamos.
Logo depois, o dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos corrigir nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua autoestima. E nós dissemos: “um perito nesse assunto deve saber o que está falando”, e concordamos com ele. O filho do dr. Spock depois cometeu suicídio.
Depois alguém disse que os professores e os diretores das escolas não deveriam disciplinar os nossos filhos quando eles se comportassem mal. Os administradores escolares então decidiram que nenhum professor em suas escolas deveria tocar em um aluno quando se comportasse mal, porque não queriam publicidade negativa, e não queriam ser processados (há uma grande diferença entre disciplinar e tocar, corrigir, dar socos, humilhar e chutar, etc.). E nós concordamos com tudo.
De alguns dos nossos políticos mais importantes disseram que não teria importância alguma o que nós fizéssemos em nossa privacidade, desde que estivéssemos cumprindo com os nossos deveres. Concordando com eles, dissemos que para nós não faria qualquer diferença o que uma pessoa fizesse em particular, incluindo o nosso presidente da República, desde que o nosso emprego fosse mantido e a nossa economia ficasse equilibrada.
Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia, e uma apreciação natural da beleza do corpo feminino. E nós também concordamos. Depois uma outra pessoa levou isto a um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição na Internet. E nós dissemos, “está bem, isto é democracia, e eles têm direito de ter a liberdade de se expressar e fazer isso”.
Vamos fazer filmes que promovam profanação, violência e sexo ilícito. Vamos gravar música que estimule o estupro, drogas, assassínio, suicídio e temas satânicos”. E nós dissemos: “Isto é apenas diversão, e não produz qualquer efeito prejudicial. Ninguém leva isso a sério mesmo, então que façam isso!”.
Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência, e por que não sabem distinguir entre o bem e o mal, o certo e o errado, por que não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios...
Provavelmente, se nós analisarmos tudo isto seriamente, iremos facilmente compreender que nós estamos colhendo exatamente aquilo que temos semeado!”
Esta é a visão sobre Deus de Elias Brandão - bacharel em direito e teologia
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Três vezes de quinze...
A filha me acha desastrada e o dentista Flávio Monteiro pensa que, como os incas, fumo cannabis sativa, mito ligado à minha geração, mas que as ruas vão ter um cheiro diferente depois da nova lei do fumo, ah, isso elas vão! Quanto a mim: falo de Woodstock, direitos iguais e meus preferidos são os poetas simbolistas como Blake, Rimbaud e os malucos da geração beatnik. Pessoa comum alimentando-se de integrais, fazendo reposição hormonal, tomando florais, acreditando em ET e no Dalai Lama, divertindo-se com rock and roll e Caetano Veloso.
Faço uso do lado direito do cérebro produzindo idéias flexíveis, divertidas, visuais, místicas, imaginativas, não lineares... Daí viver esbarrando nas coisas. O consolo é saber que artistas, rebeldes e empreendedores têm fama de empregar esse tipo de pensamento. Mesmo estando tão bem acompanhada, “saia justa” não falta no meu guarda-roupa! Em relação às academias, tenho passagens engraçadas. Certa vez, caí da esteira e uma outra fiquei presa em um aparelho de musculação. Acabei literalmente resgatada pelos bombeiros. Mas a preocupação atual é outra.
Três vezes de quinze... No princípio, era o verbo, reza a Bíblia. Comigo foi: no princípio, fui reprovada no teste de vista ao renovar a carteira de motorista. Saí da clínica com a impressão de estar quase cega, pelo mau jeito da examinadora, mesmo precisando de menos um grau em lentes para longe. Tenho óculos de três graus para perto e acho o máximo. Dá um ar de intelectual, não é?
Três vezes de quinze... Mais um, na série de acontecimentos, que me levou a pesquisar sobre a terceira idade. Avisos em bancos e supermercados acusam a idade de 60 anos. Então, o brasileiro deveria viver 90.
Porém, a média é de 75, portanto, ela tem início aos 50. Com o avanço da medicina e tratamentos de rejuvenescimento, a população remoçou 10 anos, afirmam especialistas. Isso significa contar a idade a partir de 11 anos? Se somar 10 aos 60 das placas, essa tal terceira idade começa aos 70. Entendeu? Nem eu. Vai ver é o contrário...
Ao mesmo tempo, matriculei-me em nova academia. Como os exercícios são modificados a cada mês, as anotações das fichas são escritas a lápis. Bem, eu não enxergo de perto, e, para ser sincera, nem de longe. Estico, estico o braço e não vejo nada. O professor indica os aparelhos. Eu pensando no Saramago, em seu ensaio sobre a cegueira, reconhecendo como ele, necessitar dela para melhor enxergar aquilo que os olhos não desejam ver. Porém, dia desses, vi com esses olhos que a terra há de comer: 3 x 15 em letras tão grandes ou maiores que as impressas na primeira página do JC. Ri e perguntei: três repetições de 15 para as pernas? Estou contando a história e pedindo ao diagramador letras miudinhas, daquelas para serem lidas com lupas! Não liga, ela é excêntrica mesmo, dirá minha filha, fazendo coro com o Flávio e agora com o Diguê. Esquisita... por acreditar em disco voador ou por não conseguir ler a ficha na academia?
A autora é colaboradora do Ju Machado Escritório de Arte e assina com o pseudônimo de Rosa Bertoldi
Faço uso do lado direito do cérebro produzindo idéias flexíveis, divertidas, visuais, místicas, imaginativas, não lineares... Daí viver esbarrando nas coisas. O consolo é saber que artistas, rebeldes e empreendedores têm fama de empregar esse tipo de pensamento. Mesmo estando tão bem acompanhada, “saia justa” não falta no meu guarda-roupa! Em relação às academias, tenho passagens engraçadas. Certa vez, caí da esteira e uma outra fiquei presa em um aparelho de musculação. Acabei literalmente resgatada pelos bombeiros. Mas a preocupação atual é outra.
Três vezes de quinze... No princípio, era o verbo, reza a Bíblia. Comigo foi: no princípio, fui reprovada no teste de vista ao renovar a carteira de motorista. Saí da clínica com a impressão de estar quase cega, pelo mau jeito da examinadora, mesmo precisando de menos um grau em lentes para longe. Tenho óculos de três graus para perto e acho o máximo. Dá um ar de intelectual, não é?
Três vezes de quinze... Mais um, na série de acontecimentos, que me levou a pesquisar sobre a terceira idade. Avisos em bancos e supermercados acusam a idade de 60 anos. Então, o brasileiro deveria viver 90.
Porém, a média é de 75, portanto, ela tem início aos 50. Com o avanço da medicina e tratamentos de rejuvenescimento, a população remoçou 10 anos, afirmam especialistas. Isso significa contar a idade a partir de 11 anos? Se somar 10 aos 60 das placas, essa tal terceira idade começa aos 70. Entendeu? Nem eu. Vai ver é o contrário...
Ao mesmo tempo, matriculei-me em nova academia. Como os exercícios são modificados a cada mês, as anotações das fichas são escritas a lápis. Bem, eu não enxergo de perto, e, para ser sincera, nem de longe. Estico, estico o braço e não vejo nada. O professor indica os aparelhos. Eu pensando no Saramago, em seu ensaio sobre a cegueira, reconhecendo como ele, necessitar dela para melhor enxergar aquilo que os olhos não desejam ver. Porém, dia desses, vi com esses olhos que a terra há de comer: 3 x 15 em letras tão grandes ou maiores que as impressas na primeira página do JC. Ri e perguntei: três repetições de 15 para as pernas? Estou contando a história e pedindo ao diagramador letras miudinhas, daquelas para serem lidas com lupas! Não liga, ela é excêntrica mesmo, dirá minha filha, fazendo coro com o Flávio e agora com o Diguê. Esquisita... por acreditar em disco voador ou por não conseguir ler a ficha na academia?
A autora é colaboradora do Ju Machado Escritório de Arte e assina com o pseudônimo de Rosa Bertoldi
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
QUEM É LÚCIFER?
Afinal, nós, seres humanos, somos diferentes, apesar de lá estar escrito que somos feito "à imagem e semalhança de Deus". Esse "à imagem e semelhança de Deus", por exemplo, entendo como sendo um dos maiores absurdos que a bíblia prega. Acredito que não precisa ser muito inteligente pra entender que isso não é possível. Inclusive, no meu livro "Contra a Vontade de Deus", num diálogo entre Marco e um amigo, eles debatem. Observe que Dinos é ateu. Ele inicia o diálogo:
"— Esse papo de religião é muito sinistro. Posso dizer pra você que Deus não existe... É papo furado, enganação total, cara. É a maneira que os poderosos encontraram para “segurar” o povo...
— Tenho cá minhas dúvidas...
— Pois eu lhe garanto... Veja: Deus, se você existe mesmo, manda um raio sobre mim... Acaba comigo se é tão poderoso...
— Não brinca, não, Dinos. Como é que Ele vai mandar um raio se o céu tá estrelado?
— Ora, Ele pode fazer o que quiser... Ele não é o Todo Poderoso?
— É, pelo que sei, é!
— Só que Ele não existe... É invenção... Vamos lá, acaba comigo... Cadê? Coisas de religião...
— O fato é que deram uma baita promoção à mãe Dele que, segundo a igreja, passou a ser mãe de Deus... Se você observar no Evangelho de João, verá que o relacionamento de Maria e JC não era lá muito cordial. Na verdade ele não a chamava de mãe, mas, simplesmente, de mulher. Ela pede pra que ele resolva o problema da falta de vinho e ele responde rispidamente: “Mulher, que tenho eu contigo?”. Então, ela insiste e... Na narrativa bíblica ele nunca a chamou de mãe ou...
— É isso mesmo...
—À medida que foi crescendo na vida pública, afastou-se da família. Segundo o Evangelho de Mateus, ao ser avisado de que sua mãe e seus irmãos estão ali durante uma pregação e desejavam vê-lo, respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”. O pai ele nem cita.
— Pois é, cara... Tem também o lance em Jerusalém, quando foi com os pais para as festividades de Páscoa e não retornou com a caravana, sem avisá-los de que ficaria. Depois de três dias – três dias! – é que deram pela sua falta... Sabe o que isso significa?
— Claro que sei. O relacionamento deles era difícil e não essa maravilha que as religiões pregam. E os pais não eram lá muito cuidadosos... Três dias, poxa!
— Na mosca, meu amigo, na mosca. E quem foi que escreveu a Bíblia?
— O parasita do globo... O homem...
— Não é suspeito que tenha sido escrito que Deus criou o homem pra reinar sobre a face da Terra? E se aparecer um extraterreno e afirmar que o Criador lhe disse pra reinar sobre as criaturas de todas as Galáxias?
— Como é que ficaria o Gênesis?
— É, cara, abalaria o poder supremo do proprietário do planeta. Herodes mandaria cortar o pescoço de quem? Seria insano dizer que o homem tenha inventado Deus pra santificar o poder que usurpou dos demais seres viventes?"
Em outro capítulo, outro diálogo entre Marco e Carlos que pergunta:
"— Então... Você acredita em Deus!
— Quando foi que disse que não acreditava no Criador? Você não entende mesmo. Quem não acredita em Deus são justamente aqueles que pregam a existência de Deus com tanta fúria e veemência.
— Chapou de vez, maluco. A cachaça comeu seus últimos neurônios.
— Presta atenção, ô mané. Repare que os “religiosos”, os mais dedicados às causas da religião, esforçam-se ao máximo para demonstrarem que a Bíblia é a fiel representação da existência de Deus e que tudo o que ali está narrado é a mais pura verdade. Tintim por tintim.
— E não é? Pô, cara, todo mundo sabe que é a pura verdade...
— Olha só. É isso mesmo que eles querem que todos acreditem, mas, acreditem cegamente sem a mínima restrição.
— Ué, pelo que eu sei, todo mundo acredita na Bíblia...
— Pois é o que acabei de dizer. As pessoas acreditam cegamente, sem o mínimo critério.
— Critério? Por que critério para acreditar na Bíblia?
— É apenas um livro de papel e todo mundo sabe que papel aceita tudo.
— Como?
— Com o que é que você se limpa quando vai ao banheiro?
— Você faz cada comparação!
— A Bíblia é um dos livros mais importantes da história da humanidade – não é o livro mais importante. Além disso, não é apenas um livro que trata das religiões como um todo. É um documento histórico, com valores éticos e fonte de cultura, que mostra o desenvolvimento da arquitetura, escultura, pintura, música e literatura, além, é claro, de fonte de riqueza espiritual.
— É tudo isso, cara?
— Pode crer, Carlão. E sabe qual a fonte mais explorada da Bíblia – senão a única – pelos grandes religiosos?
— Qual ?
— As pessoas como você...
— Eu?
— É, você e quase todo mundo. Não sabem droga nenhuma do que é a Bíblia e tornam-se presas fáceis para os donos das religiões que deitam e rolam com o Livro Sagrado.
— Você não deve mesmo ser normal, cara.
— Pois é, meu amigo... Já vimos religiosos que, furiosamente, estapeiam a Bíblia e berram que “está tudo aqui ó”...
— Você deve ser orientado por Lúcifer... Que Deus me perdoe por pronunciar esse nome!
— Tá vendo? Você sabe quem é Lúcifer?
— É claro que eu sei... Todo mundo sabe... É o Satanás, o chefão dos demônios!
— Sabe mesmo? Que genial! Você e todo mundo não sabem droga nenhuma!
— Como não? Todo mundo sabe que Lúcifer é sinônimo de Satanás.
— Verdade, cara? Que bonitinho...
— Não vem me zoar, não, que não sou tão burro assim...
— Não é uma questão de ser burro... É cegueira, mesmo! Se você for até Is, 14:12, lerá que: Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?
— O que isso tem a ver?
— Lúcifer significa brilhante, aquele que traz a alva, estrela da manhã. Se você prosseguir lendo Isaias, vai saber que: É este o homem que agitava a terra?. Então, aprenderá que Lúcifer se refere a um humano, não a uma criatura espiritual, muito menos demoníaca.
— Não concordo, não. Aquele conjunto de Rock, Black Sabbath, em que o cara canta que é Lúcifer... É um rock demoníaco, voltado para as “coisas” do diabo.
— Não é o caso de concordar ou não... Estou falando de evidências. É Rock de primeira.
— Que evidências? Os caras são adoradores do diabo...
— No caso do Black Sabbath, é uma bobagem essa afirmação de rock demoníaco... Os caras colocaram esse nome no grupo por causa de um filme de terror de 1935, com o Boris Karloff, que nós já assistimos, chamado Black Sabbath. Foi uma jogada comercial. Quanto ao Ozzy cantar a plenos pulmões que seu nome é Lúcifer, antes, na mesma música, ele canta que O sol, a lua, as estrelas têm a minha marca... Os caras conhecem Is, 14:12 a 16. É evidente.
— É... Não sei o que pensar... Não sei o que dizer...
— Creio que eles sabiam, usaram pra se darem bem. Não é demônio, porcaria nenhuma.
— Cara, você tem certeza?
— Claro que não!
— Mas, você falou que tá na Bíblia!
— Por isso, mesmo. As pessoas vivem de forma sem sentido e dizem que eu..."
Esse diálogo é baseado em textos bíblicos e, claro, sua interpretação à luz da razão e não da suposta fé. Nem da fé cega, fé de conveniência e outros tipos de fé que a gente conhece.
"— Esse papo de religião é muito sinistro. Posso dizer pra você que Deus não existe... É papo furado, enganação total, cara. É a maneira que os poderosos encontraram para “segurar” o povo...
— Tenho cá minhas dúvidas...
— Pois eu lhe garanto... Veja: Deus, se você existe mesmo, manda um raio sobre mim... Acaba comigo se é tão poderoso...
— Não brinca, não, Dinos. Como é que Ele vai mandar um raio se o céu tá estrelado?
— Ora, Ele pode fazer o que quiser... Ele não é o Todo Poderoso?
— É, pelo que sei, é!
— Só que Ele não existe... É invenção... Vamos lá, acaba comigo... Cadê? Coisas de religião...
— O fato é que deram uma baita promoção à mãe Dele que, segundo a igreja, passou a ser mãe de Deus... Se você observar no Evangelho de João, verá que o relacionamento de Maria e JC não era lá muito cordial. Na verdade ele não a chamava de mãe, mas, simplesmente, de mulher. Ela pede pra que ele resolva o problema da falta de vinho e ele responde rispidamente: “Mulher, que tenho eu contigo?”. Então, ela insiste e... Na narrativa bíblica ele nunca a chamou de mãe ou...
— É isso mesmo...
—À medida que foi crescendo na vida pública, afastou-se da família. Segundo o Evangelho de Mateus, ao ser avisado de que sua mãe e seus irmãos estão ali durante uma pregação e desejavam vê-lo, respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”. O pai ele nem cita.
— Pois é, cara... Tem também o lance em Jerusalém, quando foi com os pais para as festividades de Páscoa e não retornou com a caravana, sem avisá-los de que ficaria. Depois de três dias – três dias! – é que deram pela sua falta... Sabe o que isso significa?
— Claro que sei. O relacionamento deles era difícil e não essa maravilha que as religiões pregam. E os pais não eram lá muito cuidadosos... Três dias, poxa!
— Na mosca, meu amigo, na mosca. E quem foi que escreveu a Bíblia?
— O parasita do globo... O homem...
— Não é suspeito que tenha sido escrito que Deus criou o homem pra reinar sobre a face da Terra? E se aparecer um extraterreno e afirmar que o Criador lhe disse pra reinar sobre as criaturas de todas as Galáxias?
— Como é que ficaria o Gênesis?
— É, cara, abalaria o poder supremo do proprietário do planeta. Herodes mandaria cortar o pescoço de quem? Seria insano dizer que o homem tenha inventado Deus pra santificar o poder que usurpou dos demais seres viventes?"
Em outro capítulo, outro diálogo entre Marco e Carlos que pergunta:
"— Então... Você acredita em Deus!
— Quando foi que disse que não acreditava no Criador? Você não entende mesmo. Quem não acredita em Deus são justamente aqueles que pregam a existência de Deus com tanta fúria e veemência.
— Chapou de vez, maluco. A cachaça comeu seus últimos neurônios.
— Presta atenção, ô mané. Repare que os “religiosos”, os mais dedicados às causas da religião, esforçam-se ao máximo para demonstrarem que a Bíblia é a fiel representação da existência de Deus e que tudo o que ali está narrado é a mais pura verdade. Tintim por tintim.
— E não é? Pô, cara, todo mundo sabe que é a pura verdade...
— Olha só. É isso mesmo que eles querem que todos acreditem, mas, acreditem cegamente sem a mínima restrição.
— Ué, pelo que eu sei, todo mundo acredita na Bíblia...
— Pois é o que acabei de dizer. As pessoas acreditam cegamente, sem o mínimo critério.
— Critério? Por que critério para acreditar na Bíblia?
— É apenas um livro de papel e todo mundo sabe que papel aceita tudo.
— Como?
— Com o que é que você se limpa quando vai ao banheiro?
— Você faz cada comparação!
— A Bíblia é um dos livros mais importantes da história da humanidade – não é o livro mais importante. Além disso, não é apenas um livro que trata das religiões como um todo. É um documento histórico, com valores éticos e fonte de cultura, que mostra o desenvolvimento da arquitetura, escultura, pintura, música e literatura, além, é claro, de fonte de riqueza espiritual.
— É tudo isso, cara?
— Pode crer, Carlão. E sabe qual a fonte mais explorada da Bíblia – senão a única – pelos grandes religiosos?
— Qual ?
— As pessoas como você...
— Eu?
— É, você e quase todo mundo. Não sabem droga nenhuma do que é a Bíblia e tornam-se presas fáceis para os donos das religiões que deitam e rolam com o Livro Sagrado.
— Você não deve mesmo ser normal, cara.
— Pois é, meu amigo... Já vimos religiosos que, furiosamente, estapeiam a Bíblia e berram que “está tudo aqui ó”...
— Você deve ser orientado por Lúcifer... Que Deus me perdoe por pronunciar esse nome!
— Tá vendo? Você sabe quem é Lúcifer?
— É claro que eu sei... Todo mundo sabe... É o Satanás, o chefão dos demônios!
— Sabe mesmo? Que genial! Você e todo mundo não sabem droga nenhuma!
— Como não? Todo mundo sabe que Lúcifer é sinônimo de Satanás.
— Verdade, cara? Que bonitinho...
— Não vem me zoar, não, que não sou tão burro assim...
— Não é uma questão de ser burro... É cegueira, mesmo! Se você for até Is, 14:12, lerá que: Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?
— O que isso tem a ver?
— Lúcifer significa brilhante, aquele que traz a alva, estrela da manhã. Se você prosseguir lendo Isaias, vai saber que: É este o homem que agitava a terra?. Então, aprenderá que Lúcifer se refere a um humano, não a uma criatura espiritual, muito menos demoníaca.
— Não concordo, não. Aquele conjunto de Rock, Black Sabbath, em que o cara canta que é Lúcifer... É um rock demoníaco, voltado para as “coisas” do diabo.
— Não é o caso de concordar ou não... Estou falando de evidências. É Rock de primeira.
— Que evidências? Os caras são adoradores do diabo...
— No caso do Black Sabbath, é uma bobagem essa afirmação de rock demoníaco... Os caras colocaram esse nome no grupo por causa de um filme de terror de 1935, com o Boris Karloff, que nós já assistimos, chamado Black Sabbath. Foi uma jogada comercial. Quanto ao Ozzy cantar a plenos pulmões que seu nome é Lúcifer, antes, na mesma música, ele canta que O sol, a lua, as estrelas têm a minha marca... Os caras conhecem Is, 14:12 a 16. É evidente.
— É... Não sei o que pensar... Não sei o que dizer...
— Creio que eles sabiam, usaram pra se darem bem. Não é demônio, porcaria nenhuma.
— Cara, você tem certeza?
— Claro que não!
— Mas, você falou que tá na Bíblia!
— Por isso, mesmo. As pessoas vivem de forma sem sentido e dizem que eu..."
Esse diálogo é baseado em textos bíblicos e, claro, sua interpretação à luz da razão e não da suposta fé. Nem da fé cega, fé de conveniência e outros tipos de fé que a gente conhece.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
UM ADEUS DESESPERADO
Depois de quatro meses, sem escrever um único artigo, retorno a esse fulcro espaço do Jornal da Cidade para me despedir e, ao mesmo tempo, agradecer aos leitores do JC que me acompanham desde 2006. Este último artigo, objetivo transmitir uma mensagem otimista, mesmo para aqueles que perderam a fé, na espécie humana; ainda mais, quando olhamos, atentamente, para os eventos nauseantes, repugnantes e sórdidos, que ocorrem, com maior freqüência, em nosso Senado Federal.
Sem dúvida, vivemos em uma sociedade que é uma verdadeira feira de ladrões e oportunistas. As carreiras fazem-se pelo oportunismo. Os escritores mais aplaudidos, os filmes mais admirados, pintam e pregam o cinismo. A maldade compensa; alimenta as notícias dos jornais. O sadismo compensa; inspira os romances que melhor se vendem. As fórmulas mágicas dos “vencedores”, nos livros de auto-ajuda, são pílulas para acalmar o nosso cotidiano massacrante. O pedantismo, a obscuridade, o indivíduo vadio, preguiçoso e aproveitador compensam; são tidos por indícios de profundidade. Os Big Brothers, Fazendas e outros programas associados à competição hobbesiana premiam a mediocridade, baixeza, esperteza e vilania dos indivíduos. Isso reflete cada vez mais em nossos comportamentos individualistas e egocêntricos.
Na sociedade midiática do século 21, apegamos a falsos ídolos, amamos “heróis” criados, semanalmente, pela indústria cultural. Alienamos e criamos em nosso íntimo desejos e vontades que nunca “estão satisfeitos” ou preenchidos. Respeitar os verdadeiros valores nem sempre é, longe disso, assegurar uma vida tranqüila. Mas é garantir um espírito em paz consigo próprio. Não é possível querer que todos os homens sejam bons.
Há abutres em todos os ramos da selva humana. Ladrões que nos espreitam nas saídas dos bancos. Estupradores e pedófilos aterrorizam meninas e meninos nas ruas e no cyber-espaço. Políticos mentem descaradamente, apoderam-se do que é público e nos intimidam com seu poder, força política e econômica.
Ao longo da nossa vida, vamos encontrar canalhas asquerosos; seremos traídos por indivíduos que consideramos amigos; sofreremos por coquetes que nem um suspiro mereciam; seremos caluniados de maneira tão estúpida que cortará nossa respiração e ficaremos sem saber o que responder; seremos enganados por patrões que diziam sermos homens de confiança. É a vida! E se fomos tapeados, nessas diversas situações, seremos chamados de ingênuos e estúpidos pelos nossos queridos amigos e pais.
“Todas as manhãs temos que dizer para nós mesmos; hoje vou ter que me haver com um importuno, um ingrato, um brutal, um velhaco”, dizia o imperador romano Marco Aurélio. Temos que dizê-lo porque é verdade.
Em contrapartida, encontraremos a mais inesperada dedicação, o mais dedicado amor, de pessoas que, muitas vezes, julgamos ser indiferentes ou frívolas. Descobriremos que até mesmo os maus são capazes de caridade. É verdade! Outra verdade é que enquanto formos feliz, contaremos numerosos amigos. Se vierem tempos sombrios, ficaremos só, como canta Ovídio; mas engana-se o poeta; é no infortúnio que encontraremos os verdadeiros amigos. Se obtivermos sucessos demasiado freqüentes, por muito merecidos que eles sejam, teremos inimigos. É a lei da selva humana. Porque é impossível agradar a toda a gente. O nosso êxito há de irritar indivíduos que, muitas vezes, não cobiçavam os mesmos lugares, o mesmo público. É engraçado!
Por outro lado, falaremos e sempre falamos demais com franqueza para indivíduos que não suportam a franqueza. Uma palavra irônica ou com duplo sentido bastará para arranjar um inimigo para toda a vida. Os homens têm uma pele muito sensível; quando se critica alguém, mesmo com fundamento, fere a alma, e essa ferida assemelha-se a uma chaga. Um mau contato pode despertar um ódio feroz.
Os meus conselhos: não responda ao ódio pelo ódio; vivamos com quem nos quer bem; confiemos no nosso poder da vontade e sejamos fiéis às promessas, aos contratos, aos outros e a nós mesmos. Devemos ser daqueles que nunca enganam. Por mais que as pessoas nos enganem.
A verdadeira vida está perto de si. Está nas flores do nosso jardim, no sorriso das crianças, no abraço do pai, no beijo da mãe, amantes que se apertam um ao outro, na saudade de alguém querido que já se foi. Devemos voltar à verdadeira vida, aos prazeres e aos afetos. A vida é demasiado curta para ser pequena. Adeus!
O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é cientista político, doutorando em ciência política pela PUC-SP e mestre em ciência política pela PUC-SP - e-mail: jreferraz@hotmail.com
OBS>: O autor esqueceu simplesmente de incluir as religiões no rol das grandes sujeiras. É..., o povo continua cego. Inclusive as grandes cabeças...
Sem dúvida, vivemos em uma sociedade que é uma verdadeira feira de ladrões e oportunistas. As carreiras fazem-se pelo oportunismo. Os escritores mais aplaudidos, os filmes mais admirados, pintam e pregam o cinismo. A maldade compensa; alimenta as notícias dos jornais. O sadismo compensa; inspira os romances que melhor se vendem. As fórmulas mágicas dos “vencedores”, nos livros de auto-ajuda, são pílulas para acalmar o nosso cotidiano massacrante. O pedantismo, a obscuridade, o indivíduo vadio, preguiçoso e aproveitador compensam; são tidos por indícios de profundidade. Os Big Brothers, Fazendas e outros programas associados à competição hobbesiana premiam a mediocridade, baixeza, esperteza e vilania dos indivíduos. Isso reflete cada vez mais em nossos comportamentos individualistas e egocêntricos.
Na sociedade midiática do século 21, apegamos a falsos ídolos, amamos “heróis” criados, semanalmente, pela indústria cultural. Alienamos e criamos em nosso íntimo desejos e vontades que nunca “estão satisfeitos” ou preenchidos. Respeitar os verdadeiros valores nem sempre é, longe disso, assegurar uma vida tranqüila. Mas é garantir um espírito em paz consigo próprio. Não é possível querer que todos os homens sejam bons.
Há abutres em todos os ramos da selva humana. Ladrões que nos espreitam nas saídas dos bancos. Estupradores e pedófilos aterrorizam meninas e meninos nas ruas e no cyber-espaço. Políticos mentem descaradamente, apoderam-se do que é público e nos intimidam com seu poder, força política e econômica.
Ao longo da nossa vida, vamos encontrar canalhas asquerosos; seremos traídos por indivíduos que consideramos amigos; sofreremos por coquetes que nem um suspiro mereciam; seremos caluniados de maneira tão estúpida que cortará nossa respiração e ficaremos sem saber o que responder; seremos enganados por patrões que diziam sermos homens de confiança. É a vida! E se fomos tapeados, nessas diversas situações, seremos chamados de ingênuos e estúpidos pelos nossos queridos amigos e pais.
“Todas as manhãs temos que dizer para nós mesmos; hoje vou ter que me haver com um importuno, um ingrato, um brutal, um velhaco”, dizia o imperador romano Marco Aurélio. Temos que dizê-lo porque é verdade.
Em contrapartida, encontraremos a mais inesperada dedicação, o mais dedicado amor, de pessoas que, muitas vezes, julgamos ser indiferentes ou frívolas. Descobriremos que até mesmo os maus são capazes de caridade. É verdade! Outra verdade é que enquanto formos feliz, contaremos numerosos amigos. Se vierem tempos sombrios, ficaremos só, como canta Ovídio; mas engana-se o poeta; é no infortúnio que encontraremos os verdadeiros amigos. Se obtivermos sucessos demasiado freqüentes, por muito merecidos que eles sejam, teremos inimigos. É a lei da selva humana. Porque é impossível agradar a toda a gente. O nosso êxito há de irritar indivíduos que, muitas vezes, não cobiçavam os mesmos lugares, o mesmo público. É engraçado!
Por outro lado, falaremos e sempre falamos demais com franqueza para indivíduos que não suportam a franqueza. Uma palavra irônica ou com duplo sentido bastará para arranjar um inimigo para toda a vida. Os homens têm uma pele muito sensível; quando se critica alguém, mesmo com fundamento, fere a alma, e essa ferida assemelha-se a uma chaga. Um mau contato pode despertar um ódio feroz.
Os meus conselhos: não responda ao ódio pelo ódio; vivamos com quem nos quer bem; confiemos no nosso poder da vontade e sejamos fiéis às promessas, aos contratos, aos outros e a nós mesmos. Devemos ser daqueles que nunca enganam. Por mais que as pessoas nos enganem.
A verdadeira vida está perto de si. Está nas flores do nosso jardim, no sorriso das crianças, no abraço do pai, no beijo da mãe, amantes que se apertam um ao outro, na saudade de alguém querido que já se foi. Devemos voltar à verdadeira vida, aos prazeres e aos afetos. A vida é demasiado curta para ser pequena. Adeus!
O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é cientista político, doutorando em ciência política pela PUC-SP e mestre em ciência política pela PUC-SP - e-mail: jreferraz@hotmail.com
OBS>: O autor esqueceu simplesmente de incluir as religiões no rol das grandes sujeiras. É..., o povo continua cego. Inclusive as grandes cabeças...
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